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Nação, povo e memória: a sensibilidade de Ishtar Yasin em “Baladi Aldaia”


Por Ana Lupiano 

                        Ishtar Yasin Gutierrez


Nação, povo e memória: a sensibilidade de Ishtar Yasin em “Baladi Aldaia”


Para Ishtar Yasin, diretora do documentário “Baladi Aldaia” (Meu país perdido) a chance de apresentar seu longa metragem para jovens estudantes é motivo de felicidade - enquanto também professora, o resgate cultural dos ícones iraquianos, tal qual seu próprio pai, personagem do filme, para uma outra geração é de enorme importância. O filme que foi exibido para alunos da FCA no dia 13 de novembro no evento do CEIS “Encontro com Realizadoras”, tem como tema central a vida, a arte e a relação com seu pai, Mohsen Yasin, dramaturgo de origem iraquiana que passou por diversas separações no Chile e Iraque, onde nasceu, devido a conflitos políticos. No longa, Ishtar canoniza seu pai como artista enquanto explora sua própria origem no seu país perdido, o Iraque, que ela sonhava em conhecer desde pequena. 

No debate que seguiu a exibição e que contou com a mediação da professora e também realizadora Clara Albinati, Ishtar Yasin contou  sobre o processo de idealização, pesquisa, descoberta de arquivos, montagem e recepção do longa. Uma oportunidade única para quem estava presente. A realizadora compartilhou não somente questões objetivas da produção, mas também do lado emocional que envolveu lidar com os arquivos. “Yo sentía que su cuerpo era Iraque”, referindo-se ao corpo de seu pai em sua obra. Essa afirmativa, no contexto dado por ela, tem diversos significados, já que o longa tem objetivo de resgate à memória dos iraquianos, ou seja, seu próprio pai presta essa homenagem a essa nação e povo, mas também tem um sentido ritualístico que ela buscou trazer ao filme que é inspirado por poemas e mitos que evocam essa sensibilidade ao refletir sobre a doença e morte do pai, em paralelo com seu exílio. 

Sobre a montagem propriamente dita, Ishtar Yasin também deu uma aula. Ao falar sobre a composição do documentário, ela afirmou que o segredo para essa edição foi tratar o material como se trata uma música: testando texturas, arranjos e arquivos que caibam em harmonia. Segundo ela, a montagem foi feita com a edição do som junto à imagem, de forma que, a cada cena, há um trabalho em entender a combinação de textura e efeito em união. Em específico, entender o efeito também foi um tópico de discussão na conversa: ao falar do filme, que trespassa por discussões que dizem respeito a um povo e à política, Ishtar afirmou que a ética é ainda mais importante quando se trata de um documentário, mais importante do que o efeito estético ou dramático; isto é, tratar seu personagem, seja ele uma pessoa ou um país, com respeito e decoro é mais importante do que a oportunidade de usar arquivos que possam causar impacto sobretudo para a mensagem que ela desejou passar. 

A conversa com a realizadora foi um feito especial para todos os presentes e pelas preciosas dicas compartilhadas de sua experiência quanto à criação do documentário e o diálogo amoroso sobre seu pai, sua arte, sua vida e a relação com os países, do Iraque, à Rússia e ao Chile. Esperamos por mais encontros como este.



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