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CEIS no Set - Affonso Uchoa e João Dumans

Após realizar duas edições do CEIS no Set no último semestre, o CEIS deu continuidade ao projeto na última quarta (04) e contou com a participação dos diretores Affonso Uchoa e João Dumans

A proposta do evento é trazer nomes expressivos do circuito audiovisual mineiro com trabalhos em andamento, em diferentes etapas de produção. Os alunos participam de um processo, ainda aberto, de construção do filme, tendo um privilegiado acesso às dúvidas e reflexões próprias deste momento. Nesta edição, os diretores falaram sobre seu novo longa Arábia atualmente em fase de pós-produção. O CEIS no Set aconteceu às 17hrs na sala Multimeios (317) do prédio 13, PUC Minas - Coração Eucarístico.

CEIS no Set - Affonso Uchoa e João Dumans
Não é a primeira vez que João Dumans e Affonso Uchoa trabalham em parceria. Dumans foi diretor-assistente do consagrado A Vizinhança do Tigre, dirigido por Uchoa. Lançado em 2014, este filme foi aclamado pela crítica e ainda recebeu o prêmio de Melhor Filme na 17ª Mostra de Cinema de Tiradentes. A dupla contou que há 4 anos começou a elaborar o roteiro do longa Arábia porém, devido a intensa dedicação voltada a produção de A Vizinhança do Tigre, houve um grande atraso na realização do projeto que esteve paralisado durante diversos momentos neste período. 

Desde a fase de concepção, os cineastas sempre estiveram abertos a alterações no roteiro. Para Affonso Uchoa, as modificações devem-se as experiências de vida que a dupla acumulou durante o desenvolvimento de A Vizinhança do Tigre, seja conhecendo a história de vida de outras pessoas, seja com a bagagem cinematográfica adquirida por eles. De fato, muitas foram as mudanças, não apenas na narrativa, mas também no título que um dia foi O Tempo que Passa. A princípio, a narrativa abordava uma excursão colegial até Ouro Preto. O título final Arábia originou-se de um dos contos do livro Dublinenses de James Joyce, uma forte influência para os autores.

"A Vizinhança [do Tigre] nos ensinou que escrever roteiro é quase que um trabalho de campo. Não é apenas uma questão de ficar imaginando coisas em frente a um papel, tentando ser genial. É uma questão de buscar fontes, com base na realidade de coisas que te informem e te alimentem", ressaltou Dumans que ainda completou: "Há alguns elementos reais no filme, mas que adaptamos para os encaixar à ficção da história". Para isto, os diretores pesquisaram e visitaram a cidade de Ouro Preto, até conhecerem um bairro industrial criado para abrigar operários de uma fábrica de alumínio, a Vila Operária, localizado nos arredores da cidade. O objetivo dos diretores, segundo eles, é evidenciar a região - "ilha dominada pelo trabalho" - e explorar a relação íntima entre a fábrica e a região. Assim, eles buscam sair do clichê do enfoque visual na cidade histórica, para mostrar-lá de uma outra forma. Para Uchoa, esta pode ser uma maneira de entrelaçar as raízes escravocratas da cidade com a difícil vida dos trabalhadores operários, um tipo de atualização histórica.
João Dumans (à esquerda) ao lado de Affonso Uchoa
A versão final da narrativa, conta a história de um jovem, interpretado por Aristides de Sousa (Juninho em A Vizinhança do Tigre), que encontra o caderno perdido de um operário, no qual ele escrevia uma peça de teatro para a fábrica que trabalhava, mas acaba por escrever a sua história de vida. 

Por fim, ao ser questionado sobre as diferenças entre o filme anterior e este, Dumans ainda revelou que desejava algo que fugisse do realismo documental do "Vizinhança" e, por isto, buscou características fictícias e teatrais. 

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